domingo, 20 de novembro de 2011

1.0 - A caixa com o presépio das crianças


O CONTO DO PRESÉPIO DAS CRIANÇAS
Aproximava-se o Natal...
Um sacerdote procurava na sacristia da sua igreja um presépio que pudesse ser montado para ajudar os seus paroquianos a preparar-se bem para o Natal... Queria encontrar um presépio que fosse bonito, cujas figuras retratassem bem o que se tinha passado na gruta de Belém... e que, ao mesmo tempo, tocasse profundamente o coração das pessoas.
No entanto, estava muito difícil encontrar um presépio que lhe agradasse e que transmitisse tudo o que se havia passado naquela encantadora noite. Ele já havia repassado tantas vezes a cena de Natal ao ler os Evangelhos, e já a havia reproduzido tão detalhadamente na sua rica imaginação, que qualquer representação lhe parecia pobre demais.
Quando já estava para desistir da sua procura, encontrou uma grande caixa com os seguintes dizeres: “O presépio das crianças”. A sua esperança reacendeu-se. Ansioso, abriu a caixa e viu umas imagens bonitas, mas muito singelas. Além de não o satisfazerem, não entendeu o motivo de lhe terem chamado “o presépio das crianças”, já que as imagens não se pareciam em nada com os bonecos do mundo dos sonhos das crianças; pelo contrário, eram muito simples e realistas... Na falta de algo melhor, porém, pôs aquele presépio mesmo na sua igreja.



Muitos pais levavam os seus filhos, depois da Missa, para contemplarem mais de perto as imagens. O padre observava que a maioria das crianças se encantava principalmente com os animais do presépio: com o boi e a mula, com as ovelhas...; poucas reparavam também no Menino pequenino deitado sobre as palhas da manjedoura, sob o olhar atento e carinhoso dos seus pais.
Quanto mais observava, mais o padre se decepcionava com os resultados do seu presépio, pois não falava ao coração das pessoas como ele esperava, não as animava a preparar o seu coração para o Natal... E pensava consigo: “As pessoas não sabem entrar no presépio, não descobriram as chaves que abrem as portas do verdadeiro presépio de Belém. E assim não abrem as portas do seu coração para que Deus entre nele e ali possa nascer”.
Começou então a rezar, pedindo a Deus que lhe concedesse uma graça muito especial, a de que aquele presépio “falasse ao coração das pessoas”: que lhes dissesse o que precisavam fazer ou mudar nas suas vidas para que o Menino-Deus pudesse abrigar-se ali no dia de Natal.
Além de pedir, escreveu um cartaz, que pôs ao lado do presépio: “Não se limite a olhar o presépio. Deixe que os personagens lhe falem. Ouça as suas confidências e impressões pessoais sobre o nascimento de Jesus”.
E algo impressionante começou a acontecer... Muitas pessoas começaram a passar longo tempo diante do presépio, olhando fixamente para as imagens. E muitos comentavam emocionados: “Este presépio diz-me tanto!”; “Que lição de vida este presépio me deu!”
Foram tão freqüentes esses comentários, que o sacerdote começou a ficar intrigado, e, tomando coragem, atreveu-se a perguntar a uns e outros:
– Por que você diz isso? 


– Padre, o senhor, que é o dono do presépio e escreveu essas frases no cartaz, é quem melhor devia saber; por que me pergunta a mim? – respondeu um dos interrogados.
Outro comentou:
– Este presépio é muito especial: fala diretamente ao coração, sem palavras. 


Não contente com essas respostas vagas, o sacerdote passou a insistir:
– Por favor, conte-me então o que o presépio lhe disse, que lição de vida lhe ensinou. 

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