quinta-feira, 10 de novembro de 2011

3.2 - A LIÇÃO DO MENINO JESUS: APRENDER DAS CRIANÇAS

Jesus disse-lhe então:  
– Meu padre, aprenda das crianças. Foi para que aprendessem de Mim que me fiz criança no Natal, como as outras crianças que estão neste presépio. Repare como as crianças pequenas confiam totalmente nos seus pais. Eu sempre confiei em Maria e José, e no meu Pai Celeste. Sempre me abandonei nas suas mãos, sem me preocupar com nada.  
– É verdade, meu Jesus! Reparo que, por saber abandonar-se, a criança pequena não é insegura, não é tensa nem angustiada. Sabe-se querida, protegida, amparada. Sabe-se amada. Sabe-se filha. É verdade, meu Jesus Menino: se vivêssemos mais confiantes nos cuidados diários que Vós nos prodigais e na vossa proteção que nunca nos falta, viveríamos mais seguros, pouparíamos tantas preocupações e inquietações bobas. Desapareceriam tantos desassossegos... 
Jesus Menino continuou, dando-lhe a receita para nunca desconfiar de que os corações possam mudar: pedir e pedir ao Pai dos céus.  
– A criança, por confiar no poder de seus pais, é audaz no pedir..., é capaz até de pedir a lua. Não desiste até que o seu pedido seja atendido. Confia em que seu Pai lhe dará o melhor. Por isso, meu padre, recorde o que Eu disse em certa ocasião e que ficou registrado no meu Evangelho: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo aquele que pede, recebe; aquele que procura, acha; e ao que bater, se lhe abrirá”. 


O Menino prosseguiu:  
– Outra lição que você deve aprender das crianças é o próprio modo como aprendem. Ficam felizes de progredir, de fazer novas descobertas, de aprender pouco a pouco os nomes das coisas, de começar a escrever... Fazem as coisas de modo imperfeito..., mas sempre com boa vontade e procurando melhorar.  
– É verdade, meu Jesus: às vezes, impaciento-me com os meus defeitos, com as minhas deficiências, com a lentidão com que progrido. Percebo que por trás disso há um enorme perfeccionismo: quero que tudo saia perfeito e logo da primeira vez. Não gosto de fazer nada imperfeito: sinto vergonha, até me sinto ridículo diante da imperfeição. Se as coisas não saem como eu gostaria, revolto-me e desanimo... Dai-me, portanto, a graça de fazer-me criança para saber crescer e evoluir no meio da imperfeição.  
– O que mais Me agrada é o amor com que se fazem as coisas e o desejo de fazer o melhor que se possa, mesmo que, por causa das limitações pessoais, não se consiga fazer nada perfeito.  
– Mas, Jesus, noto em mim mesmo algumas más disposições, até má vontade, resistência em dar algo que o Senhor me pede e que me custa...  
– Não é de estranhar. Qualquer criança precisa crescer em generosidade. Já reparou como uma criança que está apegada ao seu doce tira apenas uma lasquinha quando o pai lhe pede um pedaço? O importante é que dá a lasquinha, que o amor vence... Mais para a frente, será capaz de dar mais.  
– Jesus, apesar das minhas más disposições, quero querer, quero ser generoso, embora hoje ainda não o seja. Obrigado, meu Menino, por Vos terdes feito criança e conversado comigo. Tenho alguns pedidos a fazer-Vos:  
– que a minha alma nunca envelheça, para que não rebaixe os grande ideais que me pusestes no coração;  
– que nunca deixe de sonhar os vossos sonhos de Menino, que nunca perca a capacidade de entusiasmar-me e de entusiasmar os outros com a vossa vida e as vossas palavras;  
– e que, como sacerdote, eu seja realmente outro Cristo, o próprio Cristo.  
E o padre ouviu do Menino Jesus: “Os seus desejos serão atendidos”.  
Quando deu por si, já estava dentro do presépio das crianças. Havia-se tornado uma criança pequeníssima, envolta apenas em panos e deitada sobre as palhas de uma manjedoura, tendo à sua frente José e Maria...  



***  
À noite, o padre saiu do presépio para celebrar a Missa de Natal. Iniciou assim a sua homilia: “Hoje, não farei a homilia da forma habitual. Simplesmente contarei um conto, intitulado O presépio das crianças”.  
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